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Economia

Saneamento avança com foco em qualidade e durabilidade

Setor amplia investimentos e enfrenta o desafio de garantir infraestrutura eficiente e preparada para atender a população por décadas

Francisco Jorge Colnaghi/ Saneamento
Banco de imagens Freepik · Foto: Divulgação

Seis anos após a aprovação do Marco Legal do Saneamento Básico, o Brasil vive uma nova fase de expansão dos investimentos no setor, com centenas de bilhões de reais previstos para obras de infraestrutura até 2033. O desafio, agora, não está apenas em acelerar a construção de redes para cumprir as metas de universalização, mas em garantir que a infraestrutura implantada tenha qualidade, eficiência e durabilidade suficientes para atender a população por muitas décadas.

Um dos dados mais recentes do Instituto Trata Brasil ajuda a dimensionar essa preocupação. Segundo estudo realizado em parceria com a GO Associados, 39,53% da água tratada no país foi perdida na distribuição em 2024. O levantamento estima que a redução desse índice para 25% permitiria economizar 2,8 bilhões de metros cúbicos de água por ano e gerar ganhos de aproximadamente R$ 47,3 bilhões até 2033.

Para Francisco Carlos Jorge Colnaghi, vice-presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, o dado mostra que a discussão sobre o futuro do saneamento precisa avançar para além do volume de investimentos e da quantidade de obras realizadas. "Se o país vai investir centenas de bilhões de reais em saneamento até 2033, precisamos garantir que esses recursos resultem em infraestrutura eficiente, duradoura e capaz de entregar desempenho ao longo de toda a sua vida útil. Não basta construir mais redes; é preciso construir redes que funcionem bem por décadas", afirma.

A questão ganha relevância diante da dimensão dos investimentos necessários para a universalização. De acordo com o estudo do Trata Brasil, os investimentos em saneamento somaram R$ 112,6 bilhões entre 2020 e 2024. Para alcançar as metas previstas no Marco Legal, de 99% da população com acesso à água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 2033, o setor precisará manter investimentos próximos de R$ 48 bilhões por ano. Ainda são estimados cerca de R$ 431 bilhões necessários para universalizar os serviços.

Nesse cenário, a qualidade da infraestrutura passa a ser um componente estratégico. A especificação correta dos materiais, o desempenho das tubulações, a resistência e durabilidade dos sistemas, a prevenção de vazamentos e a adequação dos projetos às características de cada região podem determinar o retorno efetivo dos recursos aplicados.

"Uma obra de saneamento não deveria ser avaliada somente pelo investimento necessário para construí-la. É preciso considerar o custo de ciclo de vida, a necessidade de manutenção, o desempenho da rede e a sua capacidade de permanecer eficiente ao longo do tempo. Uma infraestrutura que exige intervenções frequentes ou apresenta perdas elevadas e pode gerar custos muito maiores para operadores e para a sociedade", explica Colnaghi.

A preocupação também envolve o planejamento dos projetos. Redes de abastecimento de água e sistemas de esgotamento sanitário são ativos concebidos para operar durante décadas. Por isso, decisões tomadas durante a fase de projeto e implantação, como a escolha dos materiais, o dimensionamento das tubulações e a adequação da solução às condições locais podem produzir impactos muito depois da conclusão das obras.

Na avaliação do executivo, o cumprimento da meta de 2033 deve ser entendido como parte de um processo mais amplo. "O Marco Legal representa uma oportunidade histórica para o Brasil. O país demorou a enfrentar o déficit de saneamento, mas agora existe uma perspectiva concreta de aceleração dos investimentos", avalia. "O desafio é fazer com que essa expansão seja acompanhada por infraestrutura de qualidade, porque as redes que estão sendo projetadas e construídas agora precisarão atender a população por muitas décadas. Não se trata apenas de cumprir a meta de 2033, mas de construir um sistema capaz de sustentar essa universalização no longo prazo", complementa Francisco Carlos Jorge Colnaghi.

Nesse sentido, o avanço do saneamento brasileiro dependerá não apenas da capacidade de executar os investimentos previstos, mas também de garantir que cada real aplicado resulte em infraestrutura capaz de entregar eficiência, segurança e desempenho durante toda a sua vida útil.