Steel Frame acelera reconstrução após desastres naturais
Sistema combina rapidez de montagem, baixo peso e flexibilidade para adaptação a diferentes condições climáticas, características que favorecem projetos de habitação emergencial

Enchentes, ciclones, deslizamentos e terremotos não deixam apenas danos à infraestrutura. Em muitos casos, milhares de pessoas perdem suas casas e precisam de uma solução habitacional em um curto período. Nesse cenário, sistemas construtivos industrializados, como o Steel Frame, podem contribuir para acelerar a reconstrução ao combinar rapidez de execução, baixo peso, montagem simplificada e flexibilidade para adaptação às condições de cada região.
Para André Rossi, gerente de Desenvolvimento e Novos Negócios da Barbieri, essas características são especialmente relevantes quando a construção precisa ocorrer em situações de emergência.
"Em situações de desastre, o tempo é um fator crítico. É necessário reconstruir rapidamente, mas sem abrir mão de segurança, conforto e qualidade. O Steel Frame permite trabalhar com componentes leves e uma montagem racionalizada, características que podem fazer diferença quando é preciso reconstruir muitas moradias em pouco tempo", afirma.
A possibilidade de adaptar o sistema às características de diferentes regiões também é um dos diferenciais. Dependendo do local, uma moradia pode precisar atender a diferentes condições de temperatura, umidade, ventos ou riscos associados a eventos naturais.
"Não existe uma única solução para todos os territórios. Uma moradia implantada em uma região sujeita a enchentes terá necessidades diferentes daquela construída em uma área de clima frio ou submetida a ventos intensos. A flexibilidade do Steel Frame permite especificar diferentes componentes e soluções de fechamento e isolamento de acordo com o contexto", explica Rossi.
Projeto internacional
Um exemplo da aplicação desses conceitos é o projeto desenvolvido pelo arquiteto e urbanista argentino Santiago Caprio, vencedor do Resilient Homes Challenge, iniciativa promovida pelo Banco Mundial, pelo Fundo Global para Redução e Recuperação de Desastres e pela ONU-Habitat.
Realizado em 2018, o desafio reuniu mais de 3 mil profissionais de mais de 120 países para desenvolver propostas de moradias sustentáveis e resistentes a desastres naturais. O projeto de Caprio foi concebido originalmente para Bangladesh, país sujeito a terremotos, inundações e ciclones, e previa uma residência de aproximadamente 45 m².
A proposta foi pensada como um sistema que pudesse ser construído de maneira rápida e econômica e que permitisse ampliar ou reduzir a residência de acordo com as necessidades dos moradores. Embora o projeto original utilizasse bambu, a solução foi posteriormente adaptada para o Steel Frame na Argentina, com participação da Barbieri.
Segundo Rossi, o projeto demonstra como a industrialização pode ser combinada com a necessidade de adaptação às características locais.
"O mais interessante desse tipo de iniciativa é perceber que resiliência não significa apenas construir uma estrutura capaz de suportar determinado evento. É também criar condições para que a população possa reconstruir sua vida rapidamente. Para isso, o sistema precisa ser viável, simples de executar e adaptável à realidade de cada comunidade", afirma.
Montagem simplificada
A leveza dos componentes é outro aspecto que pode favorecer a utilização do Steel Frame em situações de reconstrução. Os perfis de aço galvanizado e demais elementos do sistema podem ser transportados e manuseados com maior facilidade do que materiais convencionais de maior peso.
A montagem por meio de ligações aparafusadas também contribui para simplificar a execução e pode reduzir a dependência de equipamentos de grande porte. No projeto desenvolvido por Caprio, a possibilidade de utilizar ferramentas manuais ou alimentadas por bateria foi considerada uma vantagem adicional em situações nas quais o fornecimento de energia elétrica pode ter sido comprometido pelo desastre.
"Quando uma comunidade é atingida por um desastre, é comum que a infraestrutura também esteja comprometida. Quanto mais simples for a logística e a montagem, maiores são as possibilidades de viabilizar a reconstrução. A construção a seco permite desenvolver soluções que demandam menos operações no canteiro e podem ser executadas de maneira mais racional", destaca Rossi.
Industrialização permite pensar em escala
Além da velocidade, a industrialização pode contribuir para tornar o processo de reconstrução mais previsível. Parte dos componentes e etapas pode ser planejada e preparada previamente, enquanto a montagem ocorre no local. Essa característica ganha importância quando a demanda envolve dezenas ou centenas de unidades habitacionais e não apenas uma residência isolada.
"Quando falamos em reconstrução após um desastre, muitas vezes precisamos atender uma comunidade inteira. A industrialização permite trabalhar com repetibilidade, planejamento e controle de qualidade, criando uma lógica que pode ser escalada conforme a necessidade", afirma Rossi.
Outro benefício é a possibilidade de reduzir desperdícios e organizar melhor o uso dos materiais, já que o sistema trabalha com componentes dimensionados e produzidos de acordo com o projeto.
Para o especialista, a discussão sobre moradias resilientes também mostra que a escolha do sistema construtivo deve fazer parte do planejamento das cidades e das estratégias de resposta a eventos extremos.
"A resiliência começa no projeto. É preciso considerar as características ambientais, sociais e econômicas de cada região e pensar em uma solução que possa ser construída com eficiência, tenha bom desempenho e permita adaptações ao longo do tempo. O Steel Frame oferece uma plataforma construtiva que pode contribuir para atender a esses diferentes requisitos", conclui Rossi.